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UMA TRAMA INTERMINÁVEL DE ASTÚCIA E MAGIA

"Há muito tempo, num reino distante, viviam dois reis, dois irmãos”. Esse é o início da história de Sherazade, que costura todas as outras deste As mais belas histórias das Mil e uma Noites, segundo volume da coleção de clássicos, que já tem O Alfaiate Valente, dos Irmãos Grimm. O universo no qual se passam as narrativas, apesar de distante da realidade, acha lugar dentro de quem fantasia mundos longínquos, habitados por reis justos, princesas virtuosas, ladrões torpes e animais sagazes.

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Nas cinco histórias aqui reunidas, o herói (ou heroína) não vence pela força física, pela destreza com armas ou pela violência. Há, sim, brigas, assassinatos, covardia e injustiças, mas esses elementos não estão em destaque. É a astúcia e a capacidade de surpreender que fazem sobressair e instaurar uma justiça muito particular, onde bondade e transparência são recompensadas pela felicidade e pela alegria.

No conto inicial, a bela Sherazade, por sua inesgotável capacidade de contar histórias, dribla o furor da desilusão do Rei para com as mulheres; em Ali Babá e os quarenta ladrões, a discrição de um irmão – somada à astúcia sem limites de sua criada – fazem-no acumular riquezas, enquanto a cobiça e a inveja do outro o aniquilam; em Do Boi e do Burro, dois animais disputam em esperteza, num duelo encantador; e em O cavalo de ébano estão reunidos os elementos-chaves do “imaginário oriental”: princesas “belas como jardins floridos e brilhantes como a Lua em noites sem nuvens”, príncipe corajoso, cavalo voador e vilão feio como “um avental amassado de um sapateiro”.

Tanta esperteza cria enredos mirabolantes, em que a atenção passa de um personagem a outro, e a trama vai sendo construída a partir desses “nós narrativos” – da mesma forma, é bom notar, a ousadia de Sherazade, espécie de patrona dos escritores, sedutora e convincente.

As mais belas histórias das Mil e uma Noites é um livro cujas imagens permanecem tão belas e misteriosas quanto as primorosas ilustrações de Olga Dugina, que conferiu delicadeza e criatividade na dose certa. Ler tais aventuras é transportá-lo para dentro de si. Certamente pela evocação do universo mágico e do encanto único dessas narrativas felizmente intermináveis. Mas também porque, ao terminar a leitura, nos sentimos um pouco mais inteligentes.

Certamente, o leitor da Cosac Naify acostumado com Lampião & Lancelote (Fernando Vilela), Conto de escola (Machado de Assis) e Vingança em Veneza (Giovanni Boccaccio), se deliciará com essa fantástica leitura.

SAIBA MAIS SOBRE A AUTORA ARNICA ESTERL
SAIBA MAIS SOBRE A ILUSTRADORA OLGA DUGINA

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