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| Pesquisadora
em Estudos Lingüísticos e Literários em
Inglês da Universidade de São Paulo, Irene obteve
o título de mestre em 1998 com o trabalho A baleia
multiplicada: traduções, adaptações
e ilustrações de Moby Dick, em que foram
consideradas todas as traduções já feitas
no Brasil. A partir de então, Irene começou
a trabalhar na primeira versão, feita diretamente do
original.
A versão para o português foi inteira e cuidadosamente
revisada pelo editor Alexandre Barbosa de Souza, que mergulhou
num extenso trabalho de cotejo do vocabulário náutico
e marinho presente na história de Melville: ex-marinheiro
e profundo conhecedor da arte da navegação,
o escritor fez destes detalhes realistas uma das preciosidades
de seu romance. Assim, elementos como a selha, a vioneira,
a bitácula, ou ainda partes de uma embarcação
do século XIX - o traquete, o sobrejoanete de proa,
e a mezena, por exemplo - ganharam tradução
de acordo com o projeto original do autor, e são indicados
nas ilustrações que completam a nova edição.
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Semelhante
minúcia foi aplicada à edição
de Os miseráveis. Partindo-se da única
versão integral do romance para o português,
publicada pela primeira vez em 1956 pela extinta Editora das
Américas, o livro foi inteiramente revisto por Frederico
Ozanam Pessoa de Barros (que realizara a primeira versão):
critérios de padronização e pontuação
foram modernizados; todas as notas foram refeitas e outras,
acrescentadas, num esforço de apresentar um quadro
representativo da cultura francesa da época e de seu
universo de referências.
O mesmo apuro recebeu a edição de Anna Kariênina:
Rubens Figueiredo talhou com refinamento a abordagem lingüística,
fazendo aproximações à prosódia
do russo com a maior precisão possível. O volume
ainda traz apresentação e notas de rodapé
assinados pelo tradutor, uma árvore genealógica
dos principais núcleos familiares e uma lista completa
de personagens, detalhes que enriquecem o monumental romance.
A nova edição de Moby
Dick , portanto, integra com destaque a lista de outros
grandes da literatura universal lançados pela Cosac Naify
e traduzidos a partir do idioma original, com aparato crítico
e sugestões de leitura. As empreitadas são dignas
das dimensões de tais obras, às quais irá
se somar Guerra e paz, de Tolstói , com chegada
às livrarias prevista para 2011, também com versão
de Rubens Figueiredo, um dos maiores tradutores da língua
russa, ao lado de Boris Schnaiderman, Homero Freitas de Andrade
e Aurora Fornoni Bernardini. Todo este
trabalho tem origem na preocupação da editora
em produzir traduções de alta qualidade, contribuindo
para amenizar a barreira da linguagem entre os povos, cumprindo
função no entendimento entre diferentes modos
culturais - e, por que não?, uma forma de respeito
a essas culturas. Preocupações lingüísticas
à parte, boas versões também são
fundamentais para o deleite no momento da leitura. |
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MAIS
UM GIGANTE DA LITERATURA UNIVERSAL
EM VERSÃO COMPLETA
Em 2002, foi a obra Os
miseráveis (1862), de Victor Hugo, com tradução
de Frederico Ozanam Pessoa de Barros. Três anos depois,
Anna Kariênina (1877), de Liév
Tolstói, ganhou versão em português
por Rubens Figueiredo. Em 2008, a Cosac Naify prossegue
com o projeto de levar ao leitor brasileiro os gigantes
da literatura universal em novas traduções
e lança Moby Dick, de Herman Melville.
Além das dimensões em extensão, essas
obras têm em comum o poder da força narrativa
genuína, criada a partir da experiência humana
em seu sentido mais profundo e universal, mantendo viva
a atração de leitores por séculos a
fio.
Escrito em 1851, Moby Dick teve
21 edições brasileiras, sem nunca ter sido
editado em português integralmente. O esforço
empreendido pela Cosac Naify resultou em uma nova e definitiva
tradução, pela primeira vez lançada
na íntegra, resultado de uma empreitada de dez anos
levada adiante por Irene Hirsch, que nos últimos
três anos contou com o trabalho de Alexandre Barbosa
de Souza.

SEGUE TEXTO
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