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MULHERES MODERNISTAS EM NOVAS TRADUÇÕES

UM TRIO GENIAL INAUGURA A SÉRIE “MULHERES MODERNISTAS”

link para a série no catálogo / loja eletrônica

A EDITORA LANÇA NOVAS TRADUÇÕES DE GRANDES AUTORAS MODERNAS DA LÍNGUA INGLESA, EM EDIÇÕES COM NOTAS, APÊNDICES E FOTOGRAFIAS

As escritoras Katherine Mansfield (Contos) e Virginia Woolf (Contos completos) abriram a nova série, que recentemente foi enriquecida com a obra A fazenda africana, de Karen Blixen.
A tradução de Mansfield foi feita a quatro mãos por Carlos Eugênio Marcondes de Moura e Alexandre Barbosa de Souza e a de Woolf pelo poeta e tradutor Leonardo Fróes. Ambas procuram transportar integralmente para o português a originalidade e a modernidade dessas grandes damas da literatura mundial.
Boa parte das edições desses títulos anteriormente publicadas no Brasil partiam de princípios equivocados e esqueciam o principal: trata-se de autoras modernistas, com tudo o que isto implica de desvio, irresolução, variações de registro e genuína transgressão.
A fazenda africana, obra-prima da escritora dinamarquesa Karen Blixen, teve nova tradução para o português de Claudio Marcondes, que preocupou-se sobretudo em mostrar o “inglês nórdico” da autora, deixando patente o fato de ela não escrever em sua língua materna. A quarta parte deste livro é como um caderno de anotações, com desenhos, anedotas e trechos de diário, revelando o caráter moderno por excelência da sua prosa. Assim, o fragmento autônomo, os recursos de montagem, a mínima recordação e a mais profunda reflexão são vazadas numa “escrita em trânsito”.
Em Woolf e Mansfield, os apêndices concebidos para os livros desta série trazem informações importantes sobre as circunstâncias em que cada um dos contos foi escrito, algumas vezes apontando intercruzamentos entre as biografias das escritoras e suas produções ficcionais. Resgatam, ainda, a forma com que foram veiculados pela primeira vez, e dão informações sobre a recepção que tiveram. Quando é o caso, estes textos relacionam um conto com outro, identificando núcleos temáticos, personagens recorrentes etc. E, por fim, sugerem leituras complementares para aqueles que estiverem interessados em avançar na leitura das obras de e sobre as autoras escolhidas.


LIVRO TRAZ CONTO INÉDITO DE VIRGINIA WOOLF

Reunindo pela primeira vez os contos completos de Virginia Woolf, o que inclui o inédito no Brasil "Um diálogo no monte Pentélico", e com uma nova tradução, feita pelo poeta Leonardo Fróes, este volume se destaca por trazer à tona a rica tessitura literária de uma das maiores autoras inglesas do século XX.

Sendo, como de fato é, uma escritora modernista por excelência, Virginia Woolf reinventa a narrativa de forma a quase sempre fugir da descrição de uma ação linear. As falas, os pensamentos e as ações de seus personagens são reembaralhados, e distribuídos de forma original, muitas vezes imbricados às reflexões da narradora. Como no conto "Kew Gardens", por exemplo, no qual não há sequer uma ação propriamente dita, todo ele se passando durante uma caminhada pelos jardins públicos, preenchida por reflexões e por um olhar desviante, que atenta a detalhes que seriam fatalmente desprezados pela narrativa tradicional, como o simples andar de um caramujo pelo chão.

Porém, não obstante essa sensibilidade estritamente moderna, evidente no conteúdo de suas reflexões e no arcabouço narrativo da maioria destas histórias, logo se percebe que uma das maiores virtudes da tradução de Leonardo Fróes está no respeito ao tom muitas vezes elevado da autora, à linguagem que em certos momentos chega a ser erudita, ou mesmo castiça, revelando-se infinitamente menos coloquial do que é costume se esperar em prosadores modernistas.

Filha de pai nobre, liberal e intelectual, Virginia Woolf desde cedo teve acesso à biblioteca paterna (o que era relativamente raro para uma mulher no período vitoriano), e parece ter fundido um grande conhecimento da tradição a uma adoção visceral das práticas e da poética do movimento renovador. A leitura deste livro, prazerosa a cada conto, torna-se portanto, no conjunto, uma rara oportunidade de acompanhar a evolução literária da escritora. Por isso os 46 contos aqui reunidos vêm divididos em seções cronológicas, que retratam bem cada uma de suas fases; das primeiras tentativas ficcionais, de antes de 1917, passando pelos famosos "A marca na parede" e "Objetos sólidos" (1917-1921), aos surpreendentes "Felicidade" e "O homem que amava sua espécie" (1922-1925), e chegando aos últimos textos (1926 a 1941), como o esplêndido "A duquesa e o joalheiro" e "Lappin e Lapinova".

Nascida em 1882, a escritora teve uma vida conturbada, de início pela morte da mãe, em 1895, e em seguida pela morte do pai, em 1905. Mais tarde, ela perderia ainda o irmão Thoby, com quem fora à Grécia e de onde deriva a narrativa do já mencionado "Um diálogo no monte Pentélico". Pouco depois, a partir de 1912, já casada com Leonard Woolf, têm início tanto a fase áurea de sua produção literária como as crises mentais que terminariam por levá-la ao suicídio, em 1941. Mesmo assim, em 1917, ela e o marido ainda estão suficientemente ativos para fundarem a célebre editora Hogarth Press, que existe até hoje, e por onde publicaram a novata Katherine Mansfield, a outra escritora escolhida para abrir a série de "grandes damas" da literatura.

A organizadora deste volume, Susan Dick, compôs ainda um extenso apêndice, com informações sobre a produção e a recepção dos contos, suas ligações entre si e com a biografia da escritora. Fotos inéditas ilustram essa edição, enriquecida ainda com sugestões de leitura de e sobre a obra de Virginia Woolf.


OS MELHORES CONTOS DE UM TALENTO MINIMALISTA

Há muitos aspectos autobiográficos na obra da contista neozelandesa Katherine Mansfield. Sua contribuição para a história da literatura talvez tenha demorado a ser devidamente dimensionada justamente por isso. Autora de cerca de uma centena de contos, de diários e de uma vasta correspondência, publicados postumamente pelo crítico John Middleton Murry, seu marido, Mansfield teve uma vida breve e uma trajetória errática e conturbada por crises sentimentais e relacionamentos inconfessáveis na atmosfera vitoriana em que viveu meros 34 anos (1898-1923).

Com sensibilidade extrema, escreveu contos muito poéticos. Influenciada por Tchecov, admiradora de Joyce, admirada por Virginia Woolf, moderna não só na literatura mas em seu comportamento sexual e amoroso, a escritora neozelandesa inventou a sua própria forma de conto. Detinha-se no instante e na intensidade dos pequenos acontecimentos, sem explorar tramas romanescas.

A Cosac Naify reuniu nesta edição obras escolhidas dentre suas várias publicações. De seu primeiro livro, Numa pensão alemã (1911), o conto escolhido é "Alemães comendo", resultado de um período em que Mansfield sofre um aborto e os primeiros ataques de pleurisia no spa de Bad Wörishofen. Esta obra obteve relativo sucesso de crítica e público; trata-se de uma antologia de contos satíricos, que se valem do clima anti-germânico daqueles anos que antecederam a Primeira Guerra.

Somente nove anos mais tarde a autora publicaria um novo livro. Nesse intervalo, trabalhando sempre como resenhista e tradutora, continuou escrevendo seus contos e publicando em revistas literárias, vivendo entre a França e a Inglaterra. De Felicidade e outros contos (1920), seu segundo livro, este volume agora lançado traz "A pequena governanta", "Je ne parle pas français" e "Prelúdio". Este último, que trata da infância de Mansfield na Nova Zelândia, é considerado por alguns críticos sua obra-prima, e foi traduzido pela primeira vez no Brasil por Érico Veríssimo (Global, 1941).

O terceiro livro de Mansfield seria o último publicado em vida: A festa no jardim (1922). Dessa coletânea, foram escolhidos "Srta. Brill", "Marriage a la mode", "As filhas do falecido coronel" e "Na Baía", este o segundo conto da trilogia iniciada com "Prelúdio".

Recuperando-se da saúde abalada pela tuberculose e sempre às voltas com seus diários, Mansfield se retira para uma comunidade dirigida pelo místico russo G. I. Gurdjieff, em Fountainebleau, no final de 1922. No dia 9 de janeiro, sofre uma hemorragia fatal. A partir de sua morte, boa parte do material de contos inéditos seria editada por Murry. Em 1923, o viúvo publica The Dove's Nest, que Katherine Mansfield deixara quase terminado e onde aparece o último conto da trilogia da infância, " A casa de bonecas", também presente nesta antologia.

No ano seguinte, sai Algo infantil mas muito natural e outros contos (1924), que trazia o conto "Uma viagem indiscreta", reproduzindo uma visita que Mansfield teria feito a seu amante, o escritor francês Francis Carco, em plena guerra, dez anos antes.

Os dois outros contos desta edição fazem parte daquilo que Murry editou, mas classificando dentro do que a autora considerou seus "contos inacabados", apesar do apuro formal em que se encontram: "A mosca" e o inédito no Brasil "Conto de homem casado".

Katherine Mansfield procurava na criação literária algo que a redimisse do sofrimento da doença e da iminência da morte. Privilegiando o instante, conseguiu transmitir grandeza na intimidade dos sentimentos.

A aparente simplicidade dos contos de Katherine Mansfield teve edições anteriores com muitos erros de revisão e de tradução. Há casos lamentáveis de troca de gênero de personagens, de passagens inteiras que ficam sem sentido pela falta de uma nota ou de interpretação errônea de contexto. Esta nova edição traz ainda apêndice com trechos de seus diários comentando cada conto, bem como sugestões de leitura e fotos inéditas do arquivo de Katherine Mansfield, da Biblioteca Nacional da Nova Zelândia.


Informações para a Imprensa:
com Cecília do Val
imprensa@cosacnaify.com.br
Tel. (11) 3218-1468

 

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