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Detalhe de corte de faca, recurso usado em 16 das 54 páginas de Na noite escura

PRIMEIRO LIVRO INFANTIL DE BRUNO MUNARI PUBLICADO NO BRASIL
Leia este texto em arquivo pdf

A Cosac Naify tem o orgulho de apresentar a edição brasileira de um dos livros mais inventivos e curiosos da literatura infantil universal. Considerado um marco na história da edição, o livro Na noite escura foi concebido pelo designer italiano Bruno Munari e publicado pela primeira vez em Milão, em 1956, pelo tipógrafo e editor Giuseppe Muggiani. Este livro consolida o diálogo da editora em aproximar os catálogos adulto e infanto-juvenil, oferecendo às crianças livros de conteúdo ousado e criativo. A especialista no autor, Laura Teixeira*, comenta o livro:

Conheça os detalhes gráficos do livro em oito fotos



Na noite escura, de Bruno Munari
R$ 59
Veja detalhes do livro e compre neste site

"Em Na noite escura, Bruno Munari concilia texto, ilustração e projeto gráfico em uma única proposta, reinventando a maneira de se ler um livro: além da parte visual, a obra requer uma leitura sensorial, por meio de seus diversos papéis em formatos diferentes.

Trata-se de um exercício metalingüístico, feito a partir da experiência de seus 'livros ilegíveis', nos quais discute o que um livro pode comunicar através de sua materialidade, cores, desenhos etc., suprimindo o seu conteúdo verbal. 'É muito importante que as crianças se apropriem fisicamente do mundo', revela o autor.

Desta forma, o projeto gráfico, as ilustrações e o contexto verbal estão ligados estruturalmente, ou seja, dão sentido em conjunto, sendo impossível isolar cada parte. A materialidade dos papéis utilizados, parte integrante das próprias ilustrações, que por sua vez se fundem com o projeto gráfico. O pequeno texto só se faz compreender uma vez inserido nas ilustrações. Um trabalho interdisciplinar em sua essência.

A história começa na capa
O título impresso em azul ocupa quase todo o campo escuro e dá início à atmosfera noturna da primeira parte do livro, toda em papel preto. Há também a silhueta de um gato, que apesar de pequeno destaca-se no contexto por duas luzes nos olhos que provavelmente miram o leitor. Será esta luz que o leitor deverá perseguir ao longo do livro, até o final da história, quando a escuridão da noite acaba, dando lugar ao dia luminoso.

Logo nas primeiras páginas, o leitor é convidado a passear pelos telhados de uma cidade quando um personagem aparece. Na página seguinte é novamente o gato, que espia do outro lado do papel. Basta olhar o verso para ver sua cabeça - aqui os limites entre uma ilustração e outra são claramente dissolvidos. Em paralelo, uma luzinha amarela se faz presente através de uma pequena abertura, repetida nas páginas seguintes. Esse outro foco de atenção vai despertando a curiosidade e ao final estabelece uma ligação com a segunda parte do livro.

No início da segunda parte - inteira em papel vegetal - é revelada enfim a origem do pontinho de luz: um vaga-lume que vai descansar no mato, afinal nesse momento já é dia. A atmosfera agora é de uma neblina matinal. As páginas translúcidas possibilitam outro tipo de leitura transversal do livro como objeto, diferente daquela proporcionada pelo furo. O autor enfatiza a simultaneidade de narrativas visuais e as surpresas continuam ocorrendo cada vez que se vira uma página. O participante chega então a um lugar diferente, seguindo o caminho de algumas formigas.

Na última parte do livro, o leitor é convidado a entrar em uma gruta, feita com papel pardo. Um desenho de uma pedra se repete no verso da página, fazendo menção à transparência do papel vegetal da parte anterior. Trata-se de uma gruta. A textura sugere que as paredes sejam ásperas, e há aberturas de diversos formatos deste ponto em diante que simulam um túnel irregular. Mais uma maneira de proporcionar a leitura transversal do livro. O visitante encontra pinturas rupestres - ótima forma para falar sobre o passado longínquo para crianças - e outros achados interessantes, como por exemplo um rio subterrâneo feito de papel vegetal, e uma caixa de tesouros provavelmente deixada por algum pirata. Por fim, num dado momento percebe que algum tempo se passou. Munari o convida mais uma vez à reflexão: quem sabe, quando sair da gruta já será noite outra vez e os vaga-lumes estarão brilhando Na noite escura.

Participação e criatividade
Uma preocupação fundamental presente neste e em outros livros de Munari é que a criança seja convidada a participar ativamente da significação de seu trabalho, desenvolvendo a capacidade de imaginação através da interação com as páginas recortadas, texturas, cores, materiais e desenhos. O autor parte do princípio de que 'um indivíduo criativo é um indivíduo completo, que não tem necessidade de ficar sempre recorrendo a peritos para resolver seus problemas'.

Este livro, recusado por diversos editores porque segundo o próprio Munari 'não tinha texto', foi reeditado várias vezes e hoje é considerado como referência fundamental para educadores, designers e ilustradores."

* Laura Teixeira nasceu em São Paulo, em 1976. Trabalha como ilustradora e é mestranda em Design na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde também se graduou. Sua pesquisa tem como ponto de partida os livros infantis de Bruno Munari. Ilustrou o livro O jarro da memória, escrito por Claudio Galperin (Cosac Naify, 2006).

Traduzido para o inglês, francês, alemão e japonês.


SAIBA MAIS SOBRE BRUNO MUNARI

NA COSAC NAIFY:
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O outro lado, de Istvan Banyai
Balanço, de Keiko Maeo

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