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Digitalização:
Marcos Gorgatti/ Núcleo de documentação
e pesquisa -IAC |
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| Sergio Camargo em frente à obra
instalada em Port Barcarés, França, em 1969 |
ARTE CONTEMPORÂNEA DOCUMENTADA
Núcleo de documentação e pesquisa
do IAC reúne documentos, catálogos, periódicos,
cartas, postais e imagens de quatro dos maiores artistas contemporâneos
Por Livia Deorsola, com colaboração
de Giovana Pastore
Amilcar de Castro (1920-2002), Mira Schendel (1919-1988),
Sergio Camargo (1930-1990) e Willys de Castro (1926-1988)
deixaram suas marcas no panorama cultural brasileiro da segunda
metade do século XX como expoentes da arte contemporânea,
rótulo bastante abrangente, sob o qual acomodam-se
pelo menos três gerações de artistas.
Esses quatro nomes seminais, integrantes de certa vanguarda
da arte contemporânea, encontram-se reunidos desde dezembro
de 2007, quando foi criado o Instituto de Arte Contemporânea,
idealizado pela galerista Raquel Arnaud.
Formalizado em 2005, em parceria com a Universidade de São
Paulo e a partir de recursos do Ministério da Cultura
(através da Lei Rouanet) e patrocínio do Banco
Itaú, o Instituto ganhou contornos físicos no
último mês de novembro, quando a exposição
Campo ampliado inaugurou o salão de exposições
abrigado pelo edifício Joaquim Nabuco, na rua Maria Antônia,
região central de São paulo, pertencente ao Centro
Universitário Maria Antônia (leia
notícia).
Marcos Gorgatti |
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| Documentos e cartas recebem proteção
especial |
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Paralelamente, nasceu o Núcleo de documentação
e pesquisa do IAC. "Objetivamente, pretendemos reunir o
maior número possível de documentos e imagens
sobre os quatro artistas, formando um centro de referência
para consultas", explica o diretor-executivo Roberto Bertani.
A iniciativa parte da percepção de que, no Brasil,
embora galerias, institutos e museus de arte contemporânea
nos diversos estados dediquem-se a cuidar das obras, ainda são
escassos os métodos de organização e catalogação
de materiais como cartas, periódicos, fotos, catálogos
e tudo mais que constitua o patrimônio documental da trajetória
dos artistas, além de espaços bem aparelhados
para realizar esta tarefa. Tal lacuna acompanha um movimento
inverso, ou seja, a cada vez maior profusão de artistas
singulares, capazes de figurar no panorama internacional de
produção de artes visuais e já representados
por galerias e feiras no Exterior.
Atualmente, o material reunido pelo Núcleo consta de
itens relacionaods aos quatro artistas que compõem o
acervo do IAC, consitituído por 75 obras em comodato
- Bertani ressalta que não há a intenção
de adquirir obras. Até o momento, são sete mil
documentos - incluindo correspondências - e quatro mil
imagens, 80% digitalizados e disponíveis para consulta.
A maior parte do total está relacionada a Sergio Camargo,
cujo espólio ficou a cargo de Raquel Arnaud. As obras
do artista, antes localizadas no ateliê que ele construiu
em Jacarepaguá (RJ), passaram à administração
da Casa Hum, instituto criado exatamente para este fim. Já
o material em papel passou a ser organizado pelo Núcleo
de documentação e pesquisa do IAC, que agora busca
recursos para a segunda etapa do projeto, em que serão
feitas a higienização e a restauração
de papéis e fotografias. "Depois de anos num local
úmido, perto da floresta, desenhos e escritos do Sergio
deterioram-se", informa Bertani.
Amplo acesso com ajuda da tecnologia
A visibilidade pública e a relevância social
do Núcleo de documentação e pesquisa
do IAC também dizem respeito ao tipo de acesso que
será oferecido. Afinal, a qual o público servirá
a iniciativa? "Em princípio, sabemos que serão
atraídos pesquisadores e estudiosos de arte. Mas a
intenção primordial é que o acesso seja
aberto a qualquer pessoa", defende Roberto Bertani.
Para organizar o material até agora reunido, o Núcleo
contou inicialmente com o apoio do Instituto Itaú Cultural.
Atualmente, o trabalho é feito através do SGA,
sigla para Sistema Gerenciador de Acervo. Trata-se de um banco
de dados capaz de especificar buscas pelas categorias Artistas,
Obras e Exposições, além de locais onde
as obras se encontram.
Marcos Gorgatti |
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| Imagens raras passam ao acervo do
IAC |
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As consultas digitais se iniciam em janeiro de 2008 e deverão
ser agendadas com o instituto. O acesso aos originais será
permitido apenas em casos especiais, de forma monitorada,
quando isso for imprescindível ao pesquisador. "O
agendamento e o monitoramento garantem a segurança
e a organização do material", esclarece
Márcia Ribeiro, museóloga e atual coordenadora
do Núcleo. Segundo Márcia, na falta dos originais,
um dos serviços prestados é a indicação
sobre a localização do documento buscado. "Isso
nos faz manter uma articulação com entidades
que possam nos ajudar nesta tarefa, como o Museu de Arte Moderna
de São Paulo, o arquivo da Fundação Bienal
de São Paulo, a Pinacoteca do Estado, o MAC-SP e o
Centro Cultural São Paulo", explica ela.
Segundo a equipe de pesquisadores, formada por Giovana Bedusque,
Roberta Martinho e Mariane Tomi Sato, um dos projetos para
o próximo ano é a aquisição de
material audiovisual, suporte considerado de grande importância
para a recuperação das trajetórias dos
quatro artistas. "Este tipo de registro é de alta
prioridade. Através dele, será possível
conhecer a maneira de os artistas se expressarem, sua gestualidade,
a voz, o olhar...", diz Giovana.
O acervo fotográfico está a cargo de Marcos
Gorgatti e dará origem a um guia, o primeiro elaborado
pela entidade, com lançamento marcado para este ano.
Logo em seguida virão as biografias definitivas de
Amílcar de Castro e de Sergio Camargo, seguidas das
de Mira Schendel e Willys de Castro, todas escritas pelo jornalista
e pesquisador José Francisco de Oliveira Mattos, uma
tentativa de equalizar as informações sobre
a vida dos artistas, muitas vezes desencontradas.
Estas publicações, assim como o catálogo
raisonné de cada artista (projeto ainda sem data
prevista de realização), fazem parte das diretrizes
do Núcleo, que obedecem às determinações
do conselho de curadores presidido por Raquel Arnaud e que
tem Charles Cosac como vice-presidente. Formado por galeristas,
críticos de arte, colecionadores e pesquisadores, o
conselho define quais são as pesquisas a serem realizadas,
as futuras exposições e a seleção
de outros acervos que devem ser incorporados.
Ajustes e metas
Designer, artista plástico e publicitário, Roberto
Bertani assumiu em janeiro de 2007 a direção
executiva do Instituto. Desde então, segundo relata,
estipulou metas para a consolidação do Núcleo
de documentação e pesquisa do IAC. O ponto de
partida foi a auditoria contábil, que redirecionou
o planejamento de novas ações. "A criação
dos arquivos bibliográficos e iconográficos,
com trabalhos de pesquisa e catalogação, é
apenas a ponta final do trabalho", afirma. "Ainda
estamos em fase de construção, inclusive fisicamente.
Em pouco tempo ocuparemos um espaço maior".
Denise Andrade |
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| Noite de inauguração
da exposição Campo Ampliado, no
histórico prédio Joaquim
Nabuco |
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Outro acerto a ser feito é a contratação
de um maior número de profissionais para todas as etapas
do processo de identificação, catalogação
e digitalização do material.
Também faz parte das atribuições de
Bertani a mediação entre os dois pólos
que constituem o Núcleo e o próprio Instituto.
Neste sentido, a gestão requer uma habilidade quase
diplomática. "Há, sim, um hiato de entendimento
que separa o mercado de obras de arte e a universidade, nossa
grande parceria no projeto; sem falar nos herdeiros dos artistas,
uma de nossas maiores fontes de documentos", afirma o
diretor. Bertani acredita que há um estigma acerca
do mecenato como atividade de autopromoção,
imagem que o Instituto pretende desfazer. "O objetivo
é gerar um serviço relevante para a sociedade.
Trabalhamos para fugir do estereótipo de que a obra
de arte constitui uma espécie de brinquedo de luxo
de uma elite".
Instituto de Arte Contemporânea
R. Maria Antônia, 258, Vila Buarque. São
Paulo (SP)
Núcleo de documentação e pesquisa
Informações e agendamento pelo tel.
(11) 3255 2009
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