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NOTÍCIAS
Nova York: cartões-postais registram projetos de 1930

NOVA YORK DELIRANTE, DE REM KOOLHAAS: DECIFRANDO
A "GRANDE MAÇÃ"

Leia este texto em arquivo PDF

Depois de Aprendendo com Las Vegas, de Robert Venturi, Denise Scott Brown e Steven Izenour, a Cosac Naify traz, no 11º título da coleção Face Norte, mais uma obra decisiva para os estudos de arquitetura e urbanismo - Nova York delirante: um manifesto retroativo para Manhattan (tradução de Denise Bottmann), escrito em 1978 pelo holandês Rem Koolhaas, figura-chave na cena arquitetônica contemporânea internacional.

Veja galeria de imagens

Leia trecho do primeiro capítulo do livro

Leia texto sobre projeto de intervenção de Koolhaas
em São Paulo



Nova York delirante,
de Rem Koolhaas
R$ 58,00
Veja detalhes
do livro


Desconto especial em compra conjunta

Tanto Aprendendo com Las Vegas quanto Nova York delirante combinam as formas de manifesto, relato histórico e ensaio buscando a compreensão dos fenômenos urbanos a partir de cidades-ícones. Mas segundo apontou o historiador Adrián Gorelik em prefácio especial para esta edição brasileira de Nova York delirante, de Rem Koolhaas, enquanto a inclinação pop do primeiro se detém na análise de uma iconografia, a "celebração da cultura de massas do segundo visa alcançar as estruturas profundas - inclusive no sentido psicanalítico, com o qual flerta a inspiração surrealista de Koolhaas - da cidade e sua arquitetura".

Nos episódios pulsantes da história urbana de Nova York narrados no livro, principalmente de 1890 a 1940, o autor procura uma teoria e uma linguagem próprias para explicar a formação e as transformações das metrópoles modernas. "Os historiadores urbanos sabem muito bem - toda cidade guarda, enigmática, em seus planos e edifícios, as chaves de uma civilização. É a quintessência da modernidade o que Koolhaas busca em Nova York", aponta Gorelik.

Os conceitos de "retícula" e de "congestão urbana", o máximo de racionalismo e adensamento para alcançar "uma liberdade sem precedentes", de fascínio pelo cenário tecnológico e pela busca incessante do prazer, de valorização de uma realidade construída segundo os interesses de incorporadores, visionários, empresários do entretenimento, políticos e arquitetos, são a base para seus argumentos e o insight para aquilo que ele chama de delírio. Na malha urbana, a quadra foi totalmente edificada num arranha-céu, "uma cidade dentro de outra cidade", um gesto megalomaníaco próprio do mundo industrial das primeiras décadas do século XX.

A originalidade única da arquitetura de Manhattan: "sua capacidade de fundir o popular e o metafísico, o comercial e o sublime, o refinado e o primitivo - os quais juntos explicam a antiga capacidade [da cidade] de seduzir o público de massa" (p. 338).

O autor analisa também a relação com a cultura moderna européia da época, relatando as visitas do artista Salvador Dalí e do arquiteto Le Corbusier. A escolha destes personagens é pertinente, pois revela as origens teóricas de sua criativa análise urbana. De um lado, o artista-ícone do movimento surrealista europeu como "energia e inspiração" para as associações que combinam razão e fantasia, ciência e brincadeira e que vestem muito bem o paradoxo delirante que para ele é o "manhattanismo". De outro Le Corbusier, o pai do urbanismo funcionalista moderno, que nasceu para edificar, simbolizar o sucesso do mundo capitalista industrial universalizante, mas que segundo o autor foi modesto nas suas propostas utópicas. A cidade de Nova York, erigida na espontânea dinâmica do capital, é a que realiza concretamente o poder da tecnologia e da edificação, a cidade da "era da máquina" preconizada por Corbusier.

Este gosto pelos paradoxos e a fusão que realiza entre o mundo surreal e o mundo racional moderno lhe permite fazer análises engenhosas de quadras emblemáticas de Nova York, como o Empire State e o Rockfeller Center, reconstruindo imagens memoráveis. É desta própria critica à cidade contemporânea e ao arranha-céu, como edificação paradigmática e simbólica, que o autor extrai também os instrumentos para o projeto de arquitetura, o caminho teórico para seus trabalhos: os fluxos (verticais e horizontais) e as lobotomias (desvinculação entre os programas dispostos no interior do edifício e sua "pele").

Este livro, certamente, vai interessar a toda sorte de leitores: arquitetos, urbanistas, estudantes, cientistas sociais, escritores, e também aos visitantes dispostos a entender os códigos da "Grande Maçã".

SAIBA MAIS SOBRE REM KOOLHAAS

COLEÇÃO FACE NORTE NA COSAC NAIFY
Uma nova agenda para a arquitetura - antologia teórica (1965-1995), org. de Kate Nesbitt
Arquitetura e trabalho livre, de Sérgio Ferro
Caminhos da arquitetura, de João Batista Vilanova Artigas
Um modo de ser moderno - Lucio Costa e a crítica contemporânea, org. de Ana Luiza Nobre, João Masao Kamita, Otavio Leonídio, Roberto Conduru
Precisões: sobre um estado presente da arquitetura e do urbanismo, de Le Corbusier
Modernidade e tradição clássica - ensaios sobre arquitetura (1980-1987), de Alan Colquhoun
Aprendendo com Las Vegas, de Robert Venturi, Denise Scott Brown e Steven Izenour
Depoimento de uma geração, org. de Alberto Xavier
Oscar Niemeyer e o modernismo de formas livres no Brasil, de David Underwood
Arquitetura moderna - a arquitetura da democracia, de Vincent Scully Jr.

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