NADA É O QUE PARECE
"Se isso for um livro infantil, eu nunca vou querer crescer"
The Kansas City Star
Da janela do seu quarto, uma menina observa um aviãozinho de papel. Ao virar a página, um garoto se diverte lançando as dobraduras do apartamento de cima. De repente, o frágil brinquedo se transforma em avião de verdade. Lá do alto, o menino avista uma praia. Vire a folha e você já estará sobre a areia, acompanhando a fuga de um cachorro assustado para a outra página, na qual se vê um bosque coberto de neve. Novamente, é o garoto que aparece, atrás de uma árvore. Mas onde se escondeu o cachorro? A resposta sempre está do outro lado da página.
Ver o mundo pelos olhos de outra pessoa. Esta é a proposta de O outro lado, livro-imagem de Istvan Banyai, autor do ousado Zoom (1995). Aqui, dependendo do ponto de vista, a mesma situação pode ter infinitas percepções, prova de que nem tudo é exatamente o que parece ao primeiro olhar. Um inteligente jogo de enigmas que ganha complexidade a cada página e instiga o leitor a questionar sua própria realidade.
As imagens produzem uma seqüência narrativa envolvente. Mas não pense que o elo de ligação entre uma cena e outra salta diante dos olhos. Inusitadas, as ilustrações desafiam o leitor a desvendar todos os "outros lados" escondidos: pode ser dentro e fora, em cima e embaixo, quente e frio, perto e longe, claro e escuro, ficção e realidade. No intervalo de um único dia, somos projetados numa infinidade de lugares - o apartamento, a praia, o céu, o teatro, o zoológico, a piscina, e até o interior do ovo onde está o pintinho. Uma volta ao mundo da imaginação.
A capa amarela é impactante. No interior, as cores continuam a exercer funções bem específicas: mantêm a coerência interna e auxiliam na passagem de um quadro ao outro. Em tons de preto e cinza, às vezes um toque de cor invade a cena. Pode ser um laço ou um boné vermelho, um guarda-chuva rosa ou algumas bolinhas de tênis amarelas. Com a ajuda do computador, Istvan insere elementos singulares aos desenhos feitos à mão. Mas a arquitetura das imagens é tão perfeita que fica praticamente impossível identificar e dissociar as etapas que a estrutura.
O outro lado é sempre curioso, estimulante, concebido especialmente para pessoas atentas aos detalhes. Não hesite em dar uma espiadinha na página anterior para recuperar algum elemento não observado na primeira leitura. E quando você achar que já descobriu tudo, uma nova surpresa aparecerá diante de seus olhos.
Comentários da imprensa estrangeira
"Os livros de Istvan Banyai nos faz sentir como alguém pego num súbito tráfego. Eles nos jogam dentro de um mundo de fluxo contínuo. Mudanças abruptas e reversões são a ordem do dia. É um mundo que precisa ser entendido sem língua, e onde devemos estar sempre atentos."
The New York Times
"Ilustrações astutas funcionam como uma aventura a passos rápidos, ou de espelhos pela metade, que sagazmente revelam um ponto perdido no tempo: há dois lados para toda história."
Parenting Magazine
"Crianças que se encantam com enigmas visuais ou quem gosta de decodificar metodicamente arte seqüencial ficará sem ar."
The Bulletin of the Center for Children's Books
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