 |
Foto: Otto Stupakoff |
 |
| Detalhe de Autorretrato, Nova York, 1967 |
MORRE OTTO STUPAKOFF,
GRANDE NOME DA FOTOGRAFIA MODERNA BRASILEIRA
Otto Stupakoff, personalidade fundamental da fotografia moderna
brasileira, morreu ontem (22/04), aos 74 anos incompletos,
em São Paulo. Celebrado como o primeiro profissional
brasileiro a registrar a área de moda, o artista tinha
seu talento reconhecido internacionalmente - colaborou com
as revistas Harper's Bazaar, Vogue,
Elle, Marie Claire, Life e Cosmopolitan.
Stupakoff também se dedicou a registrar políticos,
personalidades artísticas, viagens e retratos familiares.
Por suas lentes passaram o dramaturgo Tom Stoppard , o escritor
Truman Capote, a atriz Grace Kelly, o ator Jack Nicholson
e o presidente norte-americano Richard Nixon com sua filha
Julie, mas não só: também lançava
sua atenção a anônimos de Salvador, Nova
York, Santos, Saigon.
Um conjunto expressivo de seu olhar diversificado está
reunido no livro Otto Stupakoff (Cosac Naify, 2006),
organizado pelo crítico Rubens Fernandes Junior, para
quem um dos méritos do artista foi construir visualidades
que perturbam nossas referências de tempo e espaço.
Segundo ele, "Otto era um dos poucos que trabalhavam
com a fotografia de modo a ultrapassar os limites do próprio
enquadramento". Para o amigo,
ao deparar-se com a obra de Otto Stupakoff, pode-se entender
porque a fotografia é um "privilegiado instrumento
de observação da natureza humana", como
afirma em ensaio da edição.
Na realização do livro, em conversa com o editor
da Cosac Naify, Augusto Massi, o jornalista Alvaro Machado
e Rubens Fernandes Junior, Otto relembrou o início
da carreira, depois de tomar a decisão de abandonar
sua primeira vocação, a de cineasta. Em 1951,
chegou a realizar um curta-metragem intitulado Missão.
O fotógrafo passou mais de quatro décadas andando
pelo mundo. Nascido em São Paulo, em 28 de junho de
1935, mudou-se para Porto Alegre aos dez anos.
Em 1965 foi para Nova York para depois viver em Paris, retornando
mais tarde aos Estados Unidos, onde permaneceu até
retornar ao Brasil, em 2005. Sua volta foi marcada por um
momento de auge criativo, com colaborações para
muitas revistas nacionais. Foi um dos primeiros brasileiros
a integrar o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York,
MoMA.
De fevereiro a abril deste ano, o Instituto Moreira Salles
do Rio de Janeiro expôs 65 de suas imagens. A mostra
Fotografias marcou a comemoração dos
cinquenta anos de carreira de Otto Stupakoff.
Amigo próximo dos fotógrafos Bob Wolfenson e
Fernando Laszlo e do jornalista Hélio Hara, Otto deixou
fotos inéditas de figuras femininas para a realização
de um livro pela editora Cosac Naify.
• "Lembretes",
por Otto Stupakoff [parte integrante de Otto Stupakoff]
•
Veja cronologia do fotógrafo, publicada em Otto
Stupakoff
|
 |