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Bridgeman Art Library
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| Alvos com modelos de gesso (Jasper
Johns, 1955), analisado por Steinberg |
REDEFINIÇÃO DA ARTE
MODERNA
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Por Tiago Mesquita
Outros critérios foi a primeira compilação
de artigos de Leo Steinberg e é até hoje o seu
livro mais conhecido. O impacto dessa obra do ensaísta
norte-americano, de origem russa, foi tamanho no âmbito
da crítica de arte, que um par de anos depois de publicado,
o livro já fazia parte da bibliografia básica
sobre arte moderna e contemporânea de universidades
de todo o mundo.
Escritos entre 1955 e 1972, ano em que o livro foi publicado
nos Estados Unidos, os treze ensaios abordam um arco generoso
de assuntos: das esculturas de Rodin às de Pablo Picasso,
da pintura de Monet ao expressionismo de Jackson Pollock.
Nunca antes publicada no Brasil, a obra já clássica
chega agora ao país, com prefácio inédito
do autor, escrito especialmente para a edição
brasileira.
A história de Outros critérios começou
com um artigo de mesmo nome, publicado na revista Artforum,
em 1972. Inspirado em uma conferência feita quatro anos
antes, o texto ampliou a polêmica em torno das novas
formas de arte que apareciam nos Estados Unidos entre as décadas
de 1950 e 1960. Na época, Steinberg já era um
crítico e historiador de arte conhecido. Sabia-se de
suas ousadas interpretações sobre o renascimento
italiano, seu vasto conhecimento da obra de Pablo Picasso
e a defesa de artistas contemporâneos como Jasper Johns,
Robert Rauschenberg e Andy Warhol.
A dificuldade de parte da crítica modernista com o
trabalho daqueles pintores inspirou o ensaio. Segundo o autor,
até hoje a tradição crítica "formalista"
havia rejeitado aqueles artistas porque eles não tratavam
da reflexão em direção à pureza
da forma e do uso crítico dos meios específicos
da pintura. Para o ensaísta, esses críticos
viam na atenção a figuras ou a aspectos outros
que não forma, linha, cor, matéria e composição
uma "interferência que distraí da forma
estética" (p. 93).
Aqueles autores, segundo Steinberg, diziam que o que interessava
na arte moderna era a reflexão em torno do que não
havia de literário e nem temático: o puramente
visual. Portanto um desenvolvimento em direção
à abstração. Nada que não tratasse,
em primeiro lugar, de características específicas
da pintura merecia atenção. Para o autor, as
análises desses críticos incumbiriam a arte
de metas essenciais a serem cumpridas, tarefas que definiriam
a sua atualidade.
No entanto, os artigos reunidos em Outros Critérios
falam exatamente que a arte moderna nunca esteve atrás
de uma meta, de um caminho em direção a composições
complexas e antiilusionistas. Pelo contrário, criaram
uma série de formas de lidar com a visualidade, com
formas de figurar temas tradicionais e até com modos
de narrativa.
Por isso, Steinberg busca uma redefinição não
formalista da arte moderna. Tenta voltar-se às obras,
entender os elementos com que elas lidam e entender as questões
mais inocentes que essas obras suscitam. Pois ao invés
de percorrer um esteio bem definido, a arte moderna cria zonas
de indefinição. Desta forma, muitas vezes, como
nas análises de Picasso, o autor foca o seu olhar no
que os formalistas chamariam de "interferências
distraídas da forma estética". Fala do
conteúdo temático inclusive nas pinturas de
Willem de Kooning.
Assim, as atividades do artista moderno, nesta nova interpretação,
deixam de ter alguma finalidade anterior à obra. Mais
do que buscar uma pureza e uma liberdade reflexiva maior,
a arte moderna é vista como um desenvolvimento heterogêneo
que propõe experiências novas e desafiadoras
ao espectador. Os outros critérios da análise
estariam atentos a um número maior de vias do que a
linha reta da arte
moderna em direção à abstração.
SAIBA
MAIS SOBRE LEO STEINBERG
NA COSAC NAIFY
Sobre
arte moderna, de David Sylvester
O
fim da história da arte, de Hans Belting
Estética
doméstica - observações sobre a arte
e o gosto, de Clement Greenberg
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