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Foto: Pedro David |
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| Paisagem submersa: do fotodocumentário
clássico à representação lúdica
da realidade |
NOVOS CAMINHOS PARA O FOTODOCUMENTÁRIO
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"Do lugar onde estou já fui embora"
(Manoel de Barros)
Uma revisão contemporânea da linguagem do fotodocumentário,
com a busca de equilíbrio entre o relato objetivo e
uma visão poética marcada por uma intensa subjetividade
é um dos conceitos que norteiam o livro Paisagem
submersa, dos fotógrafos mineiros João
Castilho, Pedro David e Pedro Motta. O volume é a mais
nova publicação da Cosac Naify na área
de fotografia, que já conta com mais de 40 títulos
em seu catálogo, buscando preencher uma lacuna do mercado
editorial brasileiro em relação ao crescente
interesse pela produção nacional e internacional,
tanto no Brasil quanto no exterior.
Paisagem submersa narra por meio de
uma seqüência de imagens a inundação
de parte de sete municípios no nordeste do estado de
Minas Gerais, para a formação do lago da Usina
Hidrelétrica de Irapé, no leito do rio Jequitinhonha,
bem como o processo de demolição das casas e
a transferência de cerca de 1.100 famílias que
foram obrigadas a se mudar para outras regiões. Em
algumas localidades foram criados novos povoados para receber
parte desta população.
Movidos pelo interesse em desenvolver um trabalho autoral
e coletivo, João Castilho, Pedro David e Pedro Motta
começaram a viajar para a região da inundação
e a fotografar em 2002. De início adotaram o conceito
de "documentário imaginário", termo
pelo qual Chuck Samuels, diretor artístico do Mois
de La Photo de Montreal, se referiu ao trabalho do grupo.
Por essa linha foi possível abarcar uma abordagem
que transbordou do fotodocumentário clássico
para se enveredar por uma forma de representação
mais lúdica, que simboliza por meio da mutação
da paisagem e da vida dos atingidos não somente o fato
histórico em si, mas uma espécie de fábula
mitológica que versa sobre os desígnios do homem,
sua crença nas divindades do céu e seu apego
a terra, tendo a água como elemento transformador,
além das tramas emocionais e afetivas que ligam o homem
e sua identidade cultural a um território. Território
esse que passou a ser interpretado pelos três fotógrafos
como um campo físico, concreto, mas, sobretudo, como
um espaço indeterminado, cultural, imaginário.
Dessa forma os fotógrafos se aliam com a corrente
mais contemporânea dos fotodocumentaristas que deixaram
de lado a representação do mundo que visa estritamente
comprovar a ocorrência de uma dada realidade em nome
da percepção de que o ato de fotografar leva,
inevitavelmente, à criação e à
invenção de um mundo paralelo.
Mesclando imagens em cor e em preto-e-branco, ora mais descritivas
ora de cunho mais sensorial, Paisagem submersa se
estrutura como uma narrativa surpreendente, com imagens que
nos conduzem a um universo particular onde a poética
se infiltra por meio do uso adequado e original da luz, da
cor e do arrojo das composições.
LANÇAMENTO
DE PAISAGEM SUBMERSA DIA 10 DE ABRIL, NO RIO DE JANEIRO.
Exposição em cartaz até 10 de maio, na
Silvia Cintra Galeria de Arte (RJ)
SAIBA MAIS SOBRE JOÃO
CASTILHO, PEDRO
DAVID E PEDRO
MOTTA
NA COSAC NAIFY
Labirinto
e identidades: panorama da fotografia no Brasil [1946-98],
org. de Rubens Fernandes Junior
Imagens
fiéis, de José Bassit
O
caldeirão do diabo, André Cypriano
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