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NOTÍCIAS
Agência Estado/ Arquivo Paulo Autran
Paulo Autran em A tempestade, de Shakespeare, de 1994

O BRASIL SE DESPEDE DE SEU MAIOR ATOR

Paulo Autran publicou nesta editora, em 2005, Sem comentários, textos seus sobre fotos de acervo pessoal. O último trabalho no cinema foi O passado, baseado no romance de Alan Pauls também publicado pela Cosac Naify

O palco brasileiro perde repentinamente as melhores entonações que já conheceu das peças de Molière, Górki e Shakespeare. E as novas gerações não mais se surpreenderão com os flashs de consciência ou de arrebatamento emocional que Paulo Autran proporcionava até o primeiro semestre deste ano, quando no Teatro Cultura Artística, de São Paulo, nosso "ator maior" representava o clássico O Avarento, de Molière.

No último dia 12 de outubro, morreu, aos 85 anos, o ator de teatro, cinema e TV que foi durante os últimos sessenta anos uma unanimidade entre público e crítica.
A trajetória de Autran está intimamente ligada à história do teatro moderno brasileiro, desde o Teatro Brasileiro de Comédia até as produções contemporâneas. Encenou mais de noventa peças teatrais. Em setembro de 2005, a Cosac Naify publicou Sem comentários, livro em que o ator narra, por meio de 127 fotos de seu acervo pessoal e de outras fontes, toda sua trajetória.

Admirador da dramaturgia clássica e o mais importante intérprete de Shakespeare no Brasil, Paulo Autran imortalizou personagens como o Rei Lear e Otelo - este em produção estrelada pela Companhia Tônia-Celi-Autran, em 1956, ao lado da atriz e amiga Tônia Carreiro.

Em 1967, no cinema, interpretou o populista Porfírio Diaz, em Terra em transe, de Glauber Rocha, fato que Autran ressaltava com orgulho. Sua filmografia reúne 23 títulos, incluindo o mais recente, O passado (El pasado), de Hector Babenco, produção argentino-brasileira (com estréia nacional prevista para final de outubro) baseada no romance de Alan Pauls que a Cosac Naify publicou em português com grande sucesso em 2007. Nessa produção, o diretor deu rédeas à imaginação do ator para que ele compusesse, de forma brilhante, o personagem do professor Poussière, do romance de Alan Pauls.

A partir do final da década de 1980, por anos Paulo viajou pelo Brasil com seu Quadrante, monólogo em que exaltava poetas, cronistas e romancistas de sua predileção.

Conhecido pela apurada técnica de voz, com pleno domínio sobre a pausa, o ritmo e a diccção, o ator também realizou uma coleção de registros gravados em disco, em prosa e verso, com recitações de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Machado de Assis, entre outros.

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