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Cesare Pavese
Este é um homem que fuma cachimbo. Lá embaixo, no espelho,
há um segundo que fuma cachimbo: se miram na cara.
O real está calmo pois vê que aquele outro sorri.
Antes vira outras coisas. Num fundo de fumo
uma cara de dona inclinada a sorrir,
e um idiota a lambê-la com os olhos, falando.
E, falando, o idiota depois agarrá-la
e arrancar-lhe um gemido. Um gemido idiota.
E a mulher se dobrar, contraindo seus lábios,
como se algo de nu golpeasse-lhe a vista.
A mulher entretanto vê corpos de homens pelados
de manhã até a noite, e se despe também
e trabalha com ele, sorrindo. Ela escuta os gemidos
e os emite, ao trabalho: e é meio trabalho
um gemido bem-feito. Mas se ela está ali pra brincar
com palavras, é duro também ver o outro.
que em silêncio escutava o idiota falar.
lampejar uma idêntica idéia brutal.
Dona e idiota voltaram a soprar-se no rosto
_assemelham-se um pouco mulheres e idiotas_
e o cachimbo bafeja uma cara crispada.
Na fumaça é possível fazer um esgar
e cerrar as pestanas. A dona, sorrindo,
se desvia daquele que fala e a oprime.
[Outubro de 1933]
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