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| Sem título, de 1992, época
de "beleza contorcida", segundo Tassinari |
RODRIGO ANDRADE: UMA OBRA EM ANDAMENTO
por José Bento Ferreira*
Leia este texto em arquivo PDF Uma das razões pelas quais o grupo paulistano Casa 7 foi
uma referência importante nos anos 1980 é a retomada
da pintura. Havia uma silenciosa proibição de
pintar que eles ajudaram a romper. Rodrigo Andrade foi um
dos artistas desse grupo - a "Casa 7", onde trabalhavam,
era a casa dele. Também participaram Paulo Monteiro,
Fábio Miguez, Carlito Carvalhosa, Antonio Malta e Nuno
Ramos. Todos tiveram trajetórias independentes e produzem
trabalhos consistentes nos quais a origem comum nunca se apaga
de todo.
Este livro apresenta a obra de Rodrigo Andrade,
desde a pintura dos anos 1980, com características
neo-expressionistas, ora figurativa ora abstrata, até
as massas coloridas que ele passou a produzir a partir do
final dos 1990. Estas marcaram uma transformação
considerável em seu estilo. Certa vez, o artista declarou
que era como se tivesse "encontrado a fórmula
da felicidade", uma espécie de porto seguro na
trajetória artística.
Dois esclarecedores textos críticos comentam a arte
de Rodrigo Andrade. Alberto Tassinari, autor de O espaço
moderno (Cosac Naify, 2001), e inúmeros outros
textos importantes sobre arte contemporânea, afirma
que as massas de cor se determinam reciprocamente. Nenhuma
cor pode ser percebida isoladamente, mas "pelas diferenças
em relação às outras", cada uma
"torna-se um padrão" para as outras e assim
as grossas massas se suavizam apesar da rudeza material. Produzem
entre si um equilíbrio, uma harmonia.
Taísa Palhares, curadora da Pinacoteca do Estado,
reflete sobre as intervenções que Rodrigo Andrade
realizou a partir de sua nova pintura, no corredor do MAM
de São Paulo ("Projeto parede"), no boteco
"Lanches Alvorada", que fica no bairro de Santa
Cecília e no Museu da Caixa Econômica Federal,
onde Rodrigo Andrade filmou o pitoresco vídeo Uma
noite no escritório.
Em Paredes da Caixa, Rodrigo Andrade ironicamente
apresenta as massas coloridas moderníssimas ao lado
de retratos em estilo acadêmico de antigos políticos
e figuras históricas. A dissonância é
reveladora, assim como no tradicional boteco de bairro, onde
as grossas massas de tinta dificilmente são percebidas
como obras de arte pelos freqüentadores, mas elas acolhem
generosamente o espaço que não as reconhece.
Elas o reconhecem, a pátina morosa do dia-a-dia relaciona-se
esteticamente com as formas simples, "inexpressivas",
que só se exprimem entre si.
Segundo Taísa Palhares, elas "contaminam"
aquele espaço alheio a elas, apesar da sutileza de
suas relações. A intervenção diz
algo sobre a natureza da pintura, que sempre pretendeu instilar
beleza e espiritualidade na matéria inerte e bruta.
Amplamente ilustrada, a edição tem contribuição
no projeto gráfico do próprio Rodrigo Andrade
e inclui cronologia relacionando seus trabalhos mais importantes
e participações em exposições
individuais e coletivas, além de bibliografia. Apresentando
uma obra em andamento, o livro registra a trajetória
de um artista em atividade, maduro e que conquistou seu espaço
na arte contemporânea brasileira.
*José Bento Ferreira é
professor de filosofia e crítico de arte.
Leia
sobre Pinturas para peixes e outras pinturas, exposição
individual de Rodrigo Andrade na Galeria Marilia Razuk
NA COSAC NAIFY
Manual
da ciência popular, de Waltercio Caldas
Célia
Euvaldo, de Alberto Tassinari e Marco Silveira Mello
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