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| Karen Blixen na década de 1930,
época em que publicou seus primeiros contos |
AS NARRATIVAS DE ESTRÉIA DE
KAREN BLIXEN
Após a publicação de dois livros de
Karen Blixen (1885–1962), autora dinamarquesa que escrevia
em inglês utilizando pseudônimos masculinos (Isak
Dinesen e Pierre Andrèzel, entre outros), a Cosac Naify apresenta
aos leitores Sete narrativas góticas, primeiro
livro da autora que, já na sua estréia em 1934,
obteve enorme sucesso, consagrando-a como uma das maiores
escritoras do século xx.
Este sucesso e popularidade solidificaram-se principalmente
após a adaptação para o cinema de seu
romance autobiográfico A
fazenda africana (Entre dois amores, de
Sydney Pollack, 1985) e do conto “A festa de Babette”
(filmado por Gabriel Axel, em 1987), que compõe Anedotas
do destino. Ambos os livros integram a coleção
Mulheres Modernistas.
As marcas autobiográficas, a estética elaboradíssima,
os espaços de sonho e a impressionante capacidade de
fabulação, características de sua obra
futura, já estão presentes nestes sete contos
fantásticos. São histórias contadas oralmente
para os empregados da fazenda de café que ela administrou
por dez anos no Quênia – após o final do
conturbado casamento com seu primo, o barão Bror Blixen-Finecke
–, mais tarde reunidas em livro.
Os sete contos tratam de estranhos acontecimentos em histórias
surpreendentes que fundem real e ficção, criando
uma aura de mistério e estranheza. São histórias
dentro de histórias onde tempos, espaços, lugares
e personagens são descritos com técnica quase
cinematográfica pela riqueza de detalhes e construção
de imagens. Não à toa, Sherazade é evocada
ao final de um desses contos (“Dilúvio em Nordeney”,
onde quatro vítimas de um dilúvio narram suas
vidas ante um fim iminente).
Embutidas nessas narrativas, há densas reflexões
sobre a morte e o sobrenatural, a passagem do tempo e sua
insolubilidade, as frustrações cotidianas e
a solidão humana. A oralidade que origina as histórias
confere-lhes a atmosfera dos contos de fadas com piratas e
princesas, mortos que sentam-se à mesa para um ajuste
de contas, não com os vivos mas com a própria
vida (como acontece no belíssimo “Ceia em Elsinore”).
Ao longo dos textos, verificam-se ecos de Shakespeare, Edgar
Allan Poe (leituras confessas da autora), que nos explicam,
de algum modo, a razão de sua modernidade e sua influência
em autores contemporâneos como Júlio Cortázar,
entre outros.
A edição conta com nova tradução
(a primeira foi publicada em 1979), assinada por Cláudio
Marcondes, posfácio de Per Johns (seu primeiro tradutor),
notas explicativas, sugestões de leitura e fotos inéditas.
SAIBA
MAIS SOBRE KAREN BLIXEN
COLEÇÃO MULHERES MODERNISTAS
Anedotas
do destino; de Karen Blixen
A
fazenda africana; de Karen Blixen
O
homem sentado no corredor e A doença da morte;
de Marguerite Duras
Contos
completos; de Virginia Woolf
Contos;
de Katherine Mansfield
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