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Foto: Archivo General
de la Nación Argentina |
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| Carnaval de Buenos Aires, em 1927, cenário
para O sonho dos heróis, de Bioy Casares |
"UM ROMANCE ADMIRÁVEL"
(JORGE LUIS BORGES)
Considerado um dos melhores romances argentinos de todos os
tempos, O sonho dos heróis, de Adolfo Bioy
Casares, é o segundo volume da coleção
ABC, iniciada pela Cosac Naify em 2006 com Histórias
fantásticas.
O livro narra a trajetória de Emilio Gauna, jovem
empregado de uma oficina mecânica, durante o insólito
Carnaval de 1927, em Buenos Aires. Com o dinheiro ganho nos
cavalos, Gauna resolve pagar as três noites de festa
para seus amigos do bar. Na terceira noite, algo inusitado
e revelador de seu destino lhe acontece - mas ele não
consegue se lembrar o que foi. Três anos depois, no
Carnaval de 1930, com uma nova aposta ganha, ele repete os
mesmo passos daquela noite, com as mesmas pessoas. A trama
onírica, com uma estrutura circular, gira ao redor
da estranha amnésia de seu protagonista.
Em conversa com Marcelo Pichón Rivière, editor
da mega antologia La invención y la trama
(Fondo de Cultura Económica, México, 1988),
Bioy Casares fala sobre o romance:
"O que originou meu argumento foi a ansiedade que sentimos
quando perdemos algo (...) Para o protagonista de O sonho
dos heróis essa ansiedade é maior, porque
o perdido é algo que ele entreviu numa noite de exaltação
e extremo cansaço, algo que lhe pareceu uma verdadeira
revelação (...) Quando escrevi os contos de
La trama celeste, nos anos quarenta, já estava
pensando e começando a escrever o argumento de O
sonhos dos heróis, que me parecia muito atraente
e que foi muito bem recebido pelos amigos a quem o contei:
Borges, Peyrou, Mastronardi e os irmãos Dabove. Também
o contei a meus pais, mas minha mãe não leu
o livro. Morreu de algum modo acreditando que eu me havia
frustrado como escritor, que perdia minha vida com as mulheres.
A época de O sonho dos heróis eu reconstruí
com lembranças minhas, sem temor de cometer anacronismos,
dizendo-me que o futuro iria ser tão extenso que os
relevaria como detalhes sem importância. Entre outras,
são lembranças de relatos que se contavam num
bar onde se reuniam motoristas de táxi, ao qual me
levava Joaquín, o chofer de casa. Ficava na rua Montevideo,
esquina com a Guido. Se eu julgasse que minha memória
é totalmente exata, diria que ali só se contavam
histórias de tresnoitadores afortunados, que depois
de farras em algum cabaré saíam num táxi
aberto, a dar grandes passeios pelos bosques de Palermo, o
que me parecia um símbolo da vida extravagante".
Ilustrado com imagens do Archivo General de la Nación
Argentina do Carnaval de 1927 em Buenos Aires, o volume inclui
posfácio exclusivo para esta edição do
romancista argentino Rodrigo Fresán, que considera
este um de seus livros favoritos. Ele diz:
"O sonho dos heróis - publicado originalmente
em 1954 - narra a trajetória entre paradisíaca
e infernal de Emilio Gauna durante os três dias de um
carnaval portenho de 1927. [...] Entre a amnésia e
a recuperação dessa lembrança esquiva,
acontecem muitas coisas: brigas entre amigos, festas terríveis,
manifestações mágicas, estátuas
ominosas, a divertida estupidez dos homens, a trágica
sabedoria das mulheres, uma - ou talvez duas - histórias
de amor, uma fenda no espaço-tempo e, claro, ao final,
a revelação de que às vezes o melhor
é deixar tranqüilas certas coisas, às vezes
convém passar ao largo e olhar para outro lado. O sonhador
Gauna, no entanto, prefere morrer recordando como um herói
a viver no esquecimento dos covardes e - três anos depois
e três carnavais mais tarde - volta àquela noite
terrível e perdida, encontra-a e se perde para sempre
dentro dela."
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