autores assuntos  
     
   


EXPOSIÇÕES

Acompanhe a agenda dos artistas
do catálogo da Cosac Naify


OUTRAS NOTÍCIAS

LÉVI-STRAUSS CEM ANOS: a vida e a obra do maior pensador vivo do planeta. Ensaio inédito será lançado em dezembro


Três títulos Cosac Naify conquistam Prêmio de Excelência Gráfica Fernando Pini


Cosac Naify participa do 3º Espaço Contemporão Beco da arte

O livro inclinado, de Peter Newell: vanguarda da literatura infantil


Centenário de Lévi-Strauss é comemorado com ciclo de debates; veja calendário


Álvaro Siza, Iberê Camargo e tour virtual pela Fundação: assista a vídeos


Acervos de bibliotecas escolares em todo o país receberão 17 títulos Cosac Naify


 

Mais vendidos de outubro

 
 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

O Africano
J.M.G Le Clézio
Novos fundamentos do design
Ellen Lupton
Pensar com tipos
Ellen Lupton
Eu que fiz

Ellen Lupton
Mutações
Liv Ullman
O design brasileiro antes do design
Rafael Cardoso (org.)
Grid: construção e desconstrução
Timothy Samara
Elementos do estilo tipográfico
Robert Bringhurst
Satolep
Vitor Ramil
Papiers à la mode
Isabelle de Borchgrave e Rita Brown

 
 
NOTÍCIAS

Irmanada com Júlio Ramón Ribeyro

"Só para fumantes" é a comprovação das virtudes inspiradoras do cigarro. A maior parte da obra de Júlio Ramón Ribeyro, excelente aliás, pende para uma literatura pesada (densa e séria), voltada para situações e personagens para as quais não existem saídas. O conto, ao contrário, tem a leveza de uma baforada de fumaça. Trata das dificuldades do fumante em manter o vício, quer por causa de situações econômicas de pauperismo (mesmo que provisórias), quer por perseguição de médicos e familiares por questões de saúde. Ele traça a perspectiva vitoriosa de um fumante que vence desafios do tipo “missão impossível”, não para deixar de fumar – ao contrário, para continuar fumando. Além disto, contém uma brilhante e inovadora teoria sobre a estranha e especial natureza do apego do fumante ao cigarro (que não comento para não estragar o prazer do leitor em descobri-la). O conto, entretanto, descreve uma situação já ultrapassada. Para pior. Naquele tempo, havia obstáculos, mas se podia fumar em quase todo lugar. Hoje, não se pode fumar em quase lugar nenhum.

Criou-se uma feroz campanha contra os fumantes, que passaram a ser uma minoria mais que discriminada, praticamente perseguida. O próprio estado a dirigiu. De início, os fumantes foram segregados em fumódromos. Não era tão ruim assim, porque conhecíamos pessoas diferentes e o papo era ótimo. Deve ter sido isto que causou inveja aos não-fumantes. Os fumódromos, então, foram fechados. Hoje, quem quiser fumar tem que ir para rua e enfrentar os olhares de desprezos dos passantes que se consideram seres superiores por não terem sucumbido a esse vício. Não sei que outros vícios eles possuem, mas duvido muito que não tenham nenhum.

Os mais exaltados querem até proibir o fumo ao ar livre, como se a fumaça do cigarro fosse tão mortal quanto gás mostarda. Ninguém, entretanto, mostra igual indignação com as nuvens de fumaça negra exaladas por ônibus e caminhões desregulados, nem pela quantidade de poluentes acumulados no ar por carros e gasolina. Parece que se trata de uma questão moral – o cigarro é a encarnação do vício, e desde que o abandonemos, podemos praticar outros vícios em paz.

Irmanada com Júlio Ramón Ribeyro, escrevo este comentário com um cigarro aceso.

Eunice R. Durham é professora
do Departamento de Antropologia
da Universidade de São Paulo - USP

Próximo comentário

Na Cosac Naify
Livro de Eunice R. Durham: A dinâmica da cultura - ensaios de antropologia

VOLTAR A NOTÍCIAS