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Perseguidor de si mesmo

De saída, uma boa surpresa: não conhecia o escritor e passei a conhecê-lo. Assim foi também com Felisberto Hernández, publicado anteriormente pela mesma coleção. Todo escritor que passo a conhecer (e gostar), é como uma nova possibilidade de tornar menos estreito o mundo. Esta imagem também tem significado dentro do que pude perceber ser o sentido poético da prosa de Julio Ramon Ribeyro.

Depois de ler o primeiro conto, logo avancei pelos outros. E fui gostando cada vez mais. O que aparece de maneira muito acentuada em "Só para Fumantes" é uma espécie de atmosfera densa e de certo modo irônica, enfumaçada, mas não claustrofóbica, onde o narrador torna-se um perseguidor de si mesmo. Ele não consegue uma saída, desconfiado de si e só tendo como possibilidade um “eu” sempre incerto e fugidio. Fraqueza essa que assume feições diferentes nas outras narrativas, mas que, para mim, é uma das marcas de grande parte da boa literatura moderna, onde o herói, (na verdade um anti-herói), faz com que o seu fracasso e ambivalências, (ou o do seu lugar, do seu meio), possam assumir o lugar das positividades e realizações.

Também por isso não foi uma surpresa a referência do autor à "A Consciência de Zeno", de Italo Svevo, o primeiro relato onde tomei contato com um autor confessando e em luta com um vício, (no caso, também o cigarro), e dialogando contra si, como com um inimigo tenaz. Também Julio Ribeyro faz isso. Seria como se realizasse uma auto- diminuição, mas também (e talvez por isso mesmo), também pudesse criar um lugar de onde rir de si mesmo.

Paulo Pasta é artista plástico

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