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Fotografia de Arnaldo Pappalardo da série "Chão São Paulo" (2008)

PAPPALARDO ESTRÉIA NO UNIVERSO DO LIVRO COM INQUIETANTES FOTOGRAFIAS SOBRE A CIDADE DE SÃO PAULO

Lírico e inventivo, o fotógrafo retrata a metrópole paulistana em closes extremos, imagens noturnas e pessoas comuns

*por Simonetta Persichetti

Uma das funções da fotografia é nos mostrar o que geralmente não perceberíamos por nossa conta. Ela chama nossa atenção para o banal, transformando-o em algo especial. É desta forma que Arnaldo Pappalardo fotografa. Arquiteto por formação, aprendeu a criar imagens usando lápis - imagens que nos ajudam a entender idéias, formas e volumes. Conhecido e reconhecido como fotógrafo de publicidade, Pappalardo transforma suas idéias em imagens, e sempre esteve em busca de novas visualidades, um quê de novo, inovador, desde sua primeira exposição, em 1982. Isso pode ser agora comprovado no primeiro livro de seus mais de vinte anos de profissão: Tensão calma, que a Cosac Naify lança com base na exposição Tensão sobre a calma, apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo no segundo semestre de 2008.

Veja galeria de imagens


Tensão calma
R$ 69
Veja detalhes do livro e compre neste site

Na edição, Pappalardo amplia o conceito do fazer e do pensar fotográfico. Ele brinca com o olhar trazendo novas e múltiplas visões para o que estamos acostumados a ver: a cidade de São Paulo é vista e registrada de formas e maneiras inusitadas, vazia e solitária, se oferecendo para que possamos descobri-la por nós mesmos. As fotografias lêem a metrópole paulistana em três diferentes séries. Na primeira, o leitor se perde em imagens abstratas, que são, na realidade, closes extremos de fragmentos das ruas paulistanas - uma mancha no asfalto que se torna tema de suas imagens ao ser ampliada e descontextualizada. Na segunda série de fotos, ele explora a cidade vertical: prédios no centro da cidade, em imagens noturnas e silenciosas, sem a presença frenética dos transeuntes. O terceiro segmento, o maior do livro, apresenta justamente as pessoas desta cidade. O varredor de ruas, a senhora japonesa que vende legumes, o senhor internado em um hospital, fazendo inalação, o sujeito que conserta câmeras fotográficas. Seus personagens, pessoas comuns abordadas em seus locais de trabalhos, são surpreendidos pela forma singela de suas imagens.

Pappalardo brinca com a nossa percepção do tempo e do espaço e com o próprio fazer fotográfico: "A tensão calma também vem das relações entre a cor e o preto e branco, pois as imagens estabelecem relações em diferentes níveis de abstração e questionam o conceito de realidade na fotografia contemporânea. O visível torna-se enigmático", comenta Rubens Fernandes Junior, professor e pesquisador de fotografia, responsável pela curadoria da exposição na Pinacoteca e por ensaio no livro. O fotógrafo quebra com todas as convenções, com todas as regras; mostra que o olhar é superior a qualquer tema.

Outro destaque é a inversão de eixos de leitura; Pappalardo subverte ângulos e cortes e transforma em vertical o que é horizontal e vice-versa - brincadeira, inclusive, que foi aproveitada no projeto gráfico do livro, idealizado pela diretora de arte da editora, Elaine Ramos. Em seus anos como fazedor e criador de imagens, Arnaldo Pappalardo nos ensinou que ver é muito mais do que um simples olhar.

*Simonetta Persichetti é fotógrafa e jornalista
e escreve para o Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo



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