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VG Bild-Kunst/ Autvis |
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Engenheiro (1928-29), de August
Sander, estampa a capa de A viagem...
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A VIAGEM VERTICAL, LIVRO DE
ESTRÉIA DE ENRIQUE VILA-MATAS NO BRASIL
Já conhecido no Brasil por sua participação
na FLIP 2005, Enrique Vila-Matas é um dos principais
escritores espanhóis da atualidade e certamente um
dos mais originais. Dono ao mesmo tempo de uma poderosa capacidade
fabuladora e de um trabalho reflexivo sobre a natureza do
romance, Vila-Matas consegue atingir tanto um público
de amplo espectro quanto inquietar a crítica especializada.
Exemplo mais bem acabado disso é o romance A viagem
vertical, primeira obra do autor que a Cosac Naify trouxe
ao Brasil. Passado em Barcelona, a história começa
por um momento crucial da existência do protagonista
Federico Mayol, um nacionalista catalão que construiu
a partir do nada um grande império econômico
no ramo de seguros.
"Senhor de Barcelona", católico, dominador,
para quem "o importante era a ação",
Mayol vê sua vida ruir quando a esposa, "uma mulher
discreta e elegante que lhe dedicara toda sua vida",
lhe diz quase por acaso que não o suporta mais, pouco
tempo após a comemoração de suas bodas
de ouro.
A partir dessas perturbadoras páginas iniciais, Mayol
vê "passar o filme de sua vida numa velocidade
extraordinária", empreendendo um mergulho em direção
ao espaço exterior e, paralelamente, ao "terreno
pantanoso das lembranças".
A fuga de sua Barcelona amada - cidade em que também
vive Vila-Matas, o que caracteriza a recorrente dimensão
autobiográfica de todos os seus livro -, rumo ao Sul
(Porto, Lisboa, Ilha da Madeira) valerá a Mayol por
uma redescoberta de seu "trauma essencial": a interrupção
dos estudos aos 14 anos de idade devido à eclosão
da Guerra Civil Espanhola.
Decorre daí o sentimento de inferioridade que irá
persegui-lo, agravado pela arrogância de seu filho Julián,
"o único artista da família". A solução
que irá encontrar para lidar com esse trauma será
"inventar uma biografia", que consiga dar conta
da "necessidade urgente de ser outro". Mayol descobre-se,
então, "consciente de ser um homem fora do lugar".
Romance de formação tardio, de uma existência
que se aproxima de seu fim, A viagem vertical embaralha
a fronteira entre ficção e realidade e conduz
o leitor, juntamente com o protagonista, a um percurso iniciático
através dos emaranhados da alma humana e do próprio
fazer literário.
SAIBA
MAIS SOBRE VILA-MATAS
O AUTOR NA COSAC NAIFY:
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