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Foto: Franz Hubmann/Imagno/Getty Images
Miles Davis em 1960

LIVRO CONVIDA À INTIMIDADE DA MECA DO JAZZ

Ao vivo no Village Vanguard é o título de mais de uma centena de discos de jazz, de John Coltrane e Sonny Rollins a Keith Jarret e Brad Mehldau. Só isso já bastaria para estabelecer a lendária reputação do Vanguard, como ao clube se referem os freqüentadores, de uma das mais prestigiadas casas noturnas do mundo.

Escrita ao longo de sete anos, esta “extraordinária biografia” – segundo Whitney Baillet, da New Yorker (1980) – reúne dezenove divertidas conversas de Max Gordon com vários de seus amigos músicos, poetas e comediantes. Constituindo-se num detalhado painel da história do show business e da vida cultural nos Estados Unidos desde a década de 1930.

Fundada em 1934, a casa nasceu segundo a vocação boêmia e iconoclasta do bairro onde se instalou: o Greenwich Village. O mesmo bairro onde Duchamp e alguns amigos, na década de 1920, proclamaram a “República Independente de Washington Square”, a poucas quadras do porão de Max Gordon. (Uma curiosidade: o Village é o bairro onde se passa o seriado Friends, exibido na televisão brasileira.)

 



Veja ficha técnica
e link para compra neste site


Originalmente dedicada a apresentações de poetas como Max Bodenheim e John Rose Gildea e personagens da vizinhança como o escritor-andarilho Joe Gould, aos poucos foi recebendo artistas de variedades e comediantes, como Juddy Holiday e Lenny Bruce. Para que se tenha uma idéia da abrangência do leque de atrações da casa, o Vanguard receberia ainda o show psicodélico de Timothy Leary (o guru do LSD) e Dick Alpert, com projeções, música e efeitos lisérgicos; bem como apresentações de baladas tradicionais irlandesas e escocesas ao alaúde de Richard Dyer-Bennet!


Judy Holliday (com o espanador) e The Revuers, uma das primeiras
atrações do Village Vanguard (em foto que não entrou no livro)

O contexto de sua fundação – saborosamente descrito por seu dono, nascido na Lituânia em 1903, e formado em Literatura pelo Reed College – é o período pós-Depressão, fim da Lei Seca, o New Deal e as lutas por direitos civis e empregos nos EUA. Assim, como espaço alternativo para uma sociedade cosmopolita e intelectualizada, que se via à deriva e sem dinheiro, a “pequena cave” passaria a ser palco da produção artística mais interessante da época (artistas do folk e do blues, declaradamente de esquerda, como Pete Seeger e Woody Guthrie, de quem é transcrita uma longa carta-ensaio sobre o blues). E a atrair um público seleto e formador de opinião da cidade.

A partir de 1957, no entanto, Max Gordon decide adotar a política de exclusividade para o jazz. E aí entram em cena todos gênios da “música clássica negra” que Max já conhecia por sua já então longa experiência no ramo em duas outras casas: o Blue Angel e Le Directoire. Sua dedicação ao jazz era recompensada por cachês muito abaixo do mercado que gênios como Miles Davis e Thelonious Monk cobravam para tocar no Vanguard.

Ilustrado com imagens inéditas no Brasil, Ao vivo no Village Vanguard é um presente para aficionados por jazz e para todos interessados na história da indústria cultural americana. A prosa de Max Gordon tem o mesmo tom de uma conversa. No Vanguard, o único local onde se pode conversar durante os shows é na pequena cozinha desativada que serve de ponto de encontro e de uma espécie de camarim informal.

Bem-vindo ao Village Vanguard. Faça silêncio porque o show vai começar e Max Gordon está de olho em você.

VEJA O QUE DIZ A IMPRENSA AMERICANA SOBRE O LIVRO

“Quando a história cultural de nossa época for escrita (e que trabalho isso dará!), este homem modesto, anfitrião de todos, de Judy Holliday a Miles Davis, de Harry Belafonte a Charles Mingus, passando por Woody Allen e Thelonious Monk, aparecerá com grande destaque. Qualquer um que se interesse pelos artistas, certamente adorará este livro. Entendidos irão aprender muito. E, meu Deus, que observador de pessoas é este homem, e que escritor ele se revelou!”
(Martin Williams, Diretor do Programa de Jazz do Smithsonian Institute)

“Uma biografia extraordinária. Este livro, que ele escreveu folha a folha cuidadosamente ao longo de sete anos, não é uma enxurrada de nomes (muitos daqueles revelados por ele nem são mencionados), mas uma seqüência de conversas divertidas e agudas entre ele e vários interlocutores, alguns reais e alguns destilados de pessoas que ele conheceu. A dinâmica literária de Gordon é impressionante.”
(Whitney Balliett, The New Yorker)

 

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